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Alguns Desafios das Políticas Sociais Brasileiras

Pós Graduação em Gestão Pública - IFSC
Disciplina: O Estado e os Problemas Contemporâneos
Professor: Luiz Henrique M. Queriquelli
Aluno:      Jorge Schemes
                     
Pesquisa: Desafios das Políticas Sociais Brasileiras.
Numerosos e complexos são os problemas sociais no Brasil. Nos últimos anos as políticas públicas, colocaram a Saúde; a Educação; a Assistência Social, a Segurança Alimentar; o Trabalho e a Geração de Renda no centro das suas prioridades. Existe um anseio por um país com mais justiça social, fazendo valer de verdade, o que a Constituição de 1988 nos diz no seu artigo 194, entre outras coisas:
A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos à saúde, à previdência e à assistência social.
Educação
Avanços significativos foram alcançados nos anos recentes pela Educação brasileira, esta área de política ainda apresenta grandes desafios a serem enfrentados pelo Estado brasileiro. Mesmo que tenhamos atingido praticamente a universalidade da cobertura da população em idade escolar do nível fundamental (estudantes de 7 a 14 anos), a qualidade do ensino e da gestão escolar e das desigualdades nas condições de acesso e permanência das crianças e jovens na escola e nas universidades ainda são problemas graves.
A inscrição da Educação como “direito de todos” já constava da Constituição de 1934, elaborada nos primórdios da Era Vargas. Datam daquele período, também, os primeiros esforços para a implantação de um sistema educacional de âmbito nacional. Mas foi apenas na Constituição de 1988 que ela tornou-se um “dever do Estado”, devendo ser provida de forma universal, ao menos no nível básico.
Atualmente, o financiamento à educação no País provém de diversas fontes, sendo sua composição múltipla e complexa. O MEC centraliza boa parte das receitas e dos recursos destinados à política educacional, redistribuindo-os através de transferências. O grande “caixa” da Educação é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), onde estas receitas são reunidas.
Organizado como uma autarquia ligada ao Ministério da Educação, aplica recursos nos Estados, no Distrito Federal, nos municípios e em organizações não governamentais para atendimento às escolas públicas de educação básica, além de financiar diversos programas, tais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o Programa Nacional do Livro Didático, o programa Brasil Alfabetizado, entre outros.
Em 2007, o MEC lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que trazem instrumentos de avaliação de políticas destinadas à melhoria da qualidade de ensino. Os governos subnacionais elaboraram seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR), nos quais definem metas e ações passíveis de acompanhamento público e controle social.
O PDE estrutura-se em torno de quatro eixos de ação: Educação Básica; Educação Superior; Educação Profissional; e Alfabetização e Educação Continuada. Visa a identificação e priorização de algumas mazelas da Educação Nacional.
De acordo com o censo escolar de 2007, cerca de 30% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental tinham idade superior a 14 anos, o que significa que estariam passando mais tempo neste nível do que o adequado. A repetência leva a evasão escolar.
A qualidade no Ensino Médio nas escolas públicas é baixa como mostra o Saeb (INEP/MEC, 2004, apud IPEA, 2007). Através des ações nele previstas o governo espera que tal quadro esteja modificado pelo menos até o ano de 2022. Para isso, desenvolveu um indicador de qualidade para medir o desempenho dos alunos e das escolas de educação básica de todo o País – o IDEB – que permite, além de acompanhar os avanços alcançados, detectar as escolas e regiões que mais precisam de apoio.

Saúde
A Comissão Nacional de Reforma Sanitária, constituída a partir das conclusões e recomendações da VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, conseguiu introduzir na Constituição Federal de 1988 importantes mecanismos para a transformação do Sistema Nacional de Saúde. Adotando os princípios de universalidade e equidade no atendimento á saúde, o Brasil se colocou como um dos países mais avançados do mundo em termos de legislação social, notadamente, ao considerar que:
"A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação" (CF, art. 196).

Os Institutos Previdenciários é que proviam a Assistência médico-hospitalar até o inicio dos anos 1980, além de aposentadorias e pensões mediante comprovação de recolhimento dos trabalhadores e empresários. As campanhas de vacinação de erradicação de doenças eram realizadas pelo Estado através de seus ministérios e secretarias. O ministério da Saúde não protagonizava as políticas de saúde pública e a partir de 1970 há um destaque maior para os médicos especialistas, que promovem a expansão do mercado de trabalho médico e das escolas. Também a Reforma Sanitária reforça a atenção primária onde buscava conciliar a demanda por inclusão com a contenção dos gastos públicos. A proposta do SUS de universalizar o acesso a saúde que ainda não se concretizou devido às dificuldades para financiamento encontradas desde a fundação do SUS e da renovada força dos interesses privados vinculados ao chamado “complexo industrial da saúde” tem comprometido o avanço deste projeto. Atualmente o SUS é de responsabilidade dos três níveis de governo, com vinculação constitucional de receitas. Contudo, 70% destas correspondem a recursos federais, que são, em sua maioria, repassados para fundos estaduais e municipais de saúde, ou pagos diretamente aos prestadores de serviços.
Para ampliar o acesso da população à saúde e à programas de prevenção de doenças, bem como aos serviços e aos profissionais da área da saúde, seguem algumas das Ações e Programas do Ministério da Saúde: PROVAB - O programa leva mais médicos para mais perto da população. ACADEMIA DA SAÚDE - Estimula a criação de espaços públicos adequados para a prática de atividade física e de lazer. SAÚDE DA FAMILIA - Atua na manutenção da saúde e na prevenção de doenças, alterando, assim, o modelo de saúde centrado em hospitais. MAIS MÉDICOS - faz parte de um amplo pacto de melhorias no atendimento aos usuários do SUS. MELHOR EM CASA - Amplia o atendimento domiciliar aos brasileiros no Sistema Único de Saúde (SUS). FARMÁCIA POPULAR - Medicamentos essenciais são vendidos a preços mais baixos que os praticados no mercado. CARTÃO NACIONAL DE SAÚDE – É um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos. PRONTO ATENDIMENTO - As UPA 24h.DOAÇÃO DE ÓRGÃOS, SAMU, OLHAR BRASIL - Objetivo principal de identificar problemas visuais em alunos matriculados na rede pública de ensino fundamental e em pessoas com mais de 60 anos de idade. HUMANIZASUS - Estratégias construídas por gestores, trabalhadores e usuários do SUS para qualificar a atenção e gestão em saúde. MEDICAMENTO FRACIONADO - Remédios fabricados em embalagens especiais e vendidos na medida exata recomendada pelo médico. REDUÇÃO DA MORTALIDADE, BANCO DE LEITE HUMANO, PROGRAMA DE CONTROLE DO CÂNCER e CONTROLE DO TABAGISMO

Assistência Social e Segurança Alimentar
Foi à partir da constituição de 1988 que a Assistência Social tornou-se uma política de Estado, ou seja, independe de vontade partidária, pois passou a ser obrigatória. A criação do programa Fome Zero em 2003 foi um marco importante para a política de Segurança Alimentar brasileira, a qual está sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) criado em 2004. Dentre as atribuições do MDS destacam-se: Programa Bolsa Família; Sistema Único de Assistência Social; Programas ligados a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN).
Há várias medidas de estratégia do Programa Fome Zero, dentre elas destacam-se o Programa Bolsa Família, sendo que o Programa Fome Zero está configurado com os seguintes princípios: Acesso à alimentação; Geração de Renda; Fortalecimento da Agricultura Familiar; Articulação, Mobilização e Controle Social.             Para o recebimento do Bolsa Família pelo Programa Fome Zero, a família tem de se comprometer em manter as crianças e adolescentes, em idade escolar, frequentando a escola; a cumprir a vacinação das crianças entre 0 e 6 anos; e a cumprir a agenda pré e pós-natal das gestantes e mães em amamentação.
O MDS por meio do Programa Fome Zero da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) desenvolve outras ações, ou seja: Banco de alimentos. Carteira indígena. Cisternas. Cozinhas comunitárias. Distribuição de alimentos. Educação alimentar e nutricional. Programa de aquisição de alimentos. Restaurante popular. Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento local (CONSADs). Há ainda outros componentes importantes do Fome Zero: Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).
O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), tem no âmbito da segurança alimentar o CONSEA que tem caráter consultivo e assessora o Presidente da República na formulação da política. O CONSEA está mobilizado para a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Proposta de Emenda Constitucional que inclui a alimentação entre os direitos sociais estabelecidos no Artigo 6º da Constituição (PEC-47).

Políticas Públicas de Trabalho e Geração de Renda
Ao tratarmos os temas de trabalho e geração de renda, devemos entender que os tópicos não estão, obrigatoriamente, relacionados. O melhor meio de definir o tema é subdividir a população em:
1. População em idade ativa (PIA) acima de 10 anos de idade;
2. População economicamente ativa (PEA): População com potencial de mão de obra a qual poderá integrar o setor produtivo. Englobando a População Ocupada  e População Desocupada.
3. População não economicamente ativa (PNEA)/ População economicamente inativa (PEI): Compõe as pessoas que desistiram de buscar trabalho, que não querem trabalhar ou que estejam incapacitadas para o trabalho. Compõem ainda este grupo os "desalentados", que são pessoas em idade ativa que estão desempregadas e há mais de um mês não buscam trabalho.
4. População em idade economicamente não ativa (PINA): População com menos de 10 anos de idade.
Diante da definição e divisão clara da população devemos entender a evolução nos modelos de trabalho e, neste sentido, trataremos o Fordismo e o Toyotismo que referem-se aos modelos de realização do trabalho. O modelo anteriormente instituído e amplamente difundido nas atividades laborais foi o Fordismo, que caracterizava-se pela execução individual do trabalho minimizando as interferências onde o empregado atuava com uma única máquina/ ferramenta e qualquer que fosse sua necessidade era levada ao seu superior para resolução da necessidade. Ele é marcado também pela produção em larga escada de um único produto, atendendo assim as necessidades das grandes massas.
Posteriormente surgiu o Toyotismo que trouxe uma visão diferenciada das dinâmicas de trabalho. Neste modelo o empregado executava mais funções em mais de uma máquina, permitia-se trabalhar em grupos e até executar projetos personalizados.
A definição dos modelos de trabalho em muito explica a nossa atual legislação que visa atender os trabalhadores, nos ditames do modelo fordista e, por este motivo, tem sua ações discutidas e referendadas nas entidades de classe como os sindicatos e as associações empresariais. O modelo toyotista busca uma relação mais próxima com o trabalhador, possibilitando contratos individuais à medida da capacidade e necessidade desta relação. Este segundo modelo de tem ganhado força, pouco a pouco, e tende a substituir as antigas dinâmicas das relações de trabalho.
Quando tratamos Trabalho e Geração de Renda devemos entender que uma grande parcela da população não dispõe de um  emprego formal e, por consequência, de carteira assinada. Devemos entender também que a população com carteira assina é melhor remunerada do que a que está no mercado informal mas, não podemos, em momento algum, desconsiderar a parcela da população que atua com trabalhos informais.
O denominado mercado de trabalho diferencia-se da "geração de renda" que compreende todas atividades exercidas de modo autônomo ou precário que promovam renda/subsistência e, por este prisma, necessitem de melhorias. Para melhor estabelecer a empregabilidade estabeleceu-se o Programa Nacional de Qualificação (PNQ) que vista, também, e promover melhorias nas ações realizadas no "mercado informal"  promovendo a geração de renda eficaz e eficiente.
Diversas são as medidas tomadas, hoje, para promover o equilíbrio entre o trabalhador e o empregador, de modo a minimizar as pessoas que, ao saírem de seus empregos, necessitem de programas de renda como o Seguro Desemprego e o Bolsa Família.
Dentre as dificuldades atuais para implementação dos programas sociais, há de se destacar a necessidade de sensibilização da população para os reais motivos para os quais os programas assistenciais foram criados. Entender o objetivo, promover oportunidade de rendimento, seja por meio de ações individuais, coletivas ou ligadas ao mercado de trabalho, é o primeiro passo efetividade das ações sociais.  Para que o trabalho formal possa se difundir e proliferar, há a necessidade de simplificação para empreender e de se minimizar a intervenção estatal nas relações entre Empregador e Trabalhador e, por óbvio, as relações abusivas devem continuar sendo objeto de apreciações do judiciário que deverá atuar sempre de modo imparcial.


Referências:
Ministério da Saúde. Disponível em: <portalsaude.saude.gov.br>. Acesso em: 30 out. 2014.
Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 30 out. 2014.
Ministério de Assistência Social. Disponível em:<http://www.mds.gov.br>. Acesso em 30 out. 2014.
Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/portal-mte>.

SANTOS, Maria Paula Gomes dos. O Estado e os problemas contemporâneos. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC, 2012.