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Curso: Empreendedorismo e Desenvolvimento Regional - Unidade II - Políticas Públicas para Desenvolvimento Regional

 Sumário

Curso Empreendedorismo e Desenvolvimento Regional

Unidade 02 Políticas Públicas para Desenvolvimento Regional

2.1 Conceituação

2.2 Ciclo das políticas públicas

2.3 Implementação política e municipalização de políticas públicas

2.4 Implementação política e municipalização de políticas públicas


Unidade 02 - Políticas Públicas para Desenvolvimento Regional

Introdução

Olá, nesta segunda unidade, você vai estudar assuntos conceituais acerca da política pública, definindo em um primeiro momento o termo política, seguido da conceituação de políticas públicas. Você vai ter a oportunidade de ver também a abordagem de ciclos e suas fases; aspectos da descentralização política e municipalização de políticas públicas, e por fim, conhecerá mais sobre a avaliação das políticas públicas.

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta unidade, você será capaz de

  • entender os conceitos e definições de política e a sua dinâmica;

  • compreender que com a descentralização política os municípios se tornaram os responsáveis por implementar políticas públicas;

  • reconhecer a dinâmica da municipalização de políticas públicas;

  • identificar as principais dificuldades de implementação de políticas públicas e as técnicas e métodos de avaliação.

2.1 Conceituação

Antes de aprofundar a questão das políticas públicas e seus métodos de análise e avaliação é muito importante que você saiba definir política e políticas públicas. Você saberia definir a diferença entre esses dois termos? Embora sejam termos utilizados no cotidiano, eles têm sentidos mais amplos do que a prática nos permite prever.

O que é política?

A palavra “política” advém do grego polis com o sentido de cidade-estado. As cidades-estados gregas foram as primeiras formas de organização das cidades, eram caracterizadas pela participação social, partilha de decisões sobre a polis.

Saiba mais:

O termo também pode significar o convencimento de outrem a partir da palavra – neste sentido se relaciona mais ao conceito de poder. (SILVA, 2014)


Trabalho em prol da polis

O exercício da política significa o trabalho para o bem da polis, ou seja, da cidade e do povo. Com o avanço das sociedades e a evolução das cidades, a política, como forma de organização, foi se tornando mais complexa, assim, também como as demandas sociais começaram a emergir. Os problemas sociais surgem das características geográficas, sociais ou econômicas do local em que a organização social se insere. A partir da identificação dessas questões sociais é que surgem as políticas públicas, como uma forma de exercício do Estado. (SOUZA, 2006)

Saiba mais:

Com o surgimento do mundo greco-romano houve uma substancial mudança concernente ao poder, ou seja, os gregos e os romanos inventaram a política, e assim o poder não se identificava mais com a vontade de um indivíduo, como ocorria no passado, mas se dava a partir de decisões discutidas, deliberadas e votadas. Portanto, a cidadania estava ligada ao direito do indivíduo de participar do poder diretamente, procurando decidir e propor a resolução de conflitos de forma democrática.


Políticas públicas

Você sabe definir o termo “políticas públicas”? Nesta seção, você conhecerá o significado e a importância disso.

A verdade é que não existe uma única definição aceita para esse termo, contudo, todas elas buscam estabelecer relações entre o papel do Estado diante das demandas sociais. As políticas públicas são processos complexos que englobam muitos atores sociais entre outros aspectos, é a essa complexidade que se atribui a dificuldade de uma única definição para o termo. (SOUZA, 2006). Celina Souza (2006, p. 6), de forma muito didática e resumida, definiu a política pública como “o campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, colocar o governo em ação e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações.” Política pública, em suma, pode ser considerada como Estado em ação ou a atuação do Estado diante da identificação de demandas sociais, podendo essa ocorrer de acordo com diferentes estratégias adotadas pelo governo.

Estudos sobre políticas públicas

Os estudos sobre políticas públicas começaram a se desenvolver nos anos de 1950 nos Estados Unidos, tal tendência chegou à Europa em meados dos anos 1970. Mas no Brasil? Quando começamos a pensar sobre isso?

Saiba mais:

O Brasil começou a se preocupar com essas questões mais tardiamente em meados de 1980, impulsionado pela democracia que estava se iniciando, sendo que os estudos sobre avaliação de políticas públicas aqui divulgados são relativamente recentes. (BELLEN; TREVISAN, 2008)


Políticas públicas no Brasil

Atualmente, o Brasil conta com uma ampla gama de trabalhos relacionados ao tema, ainda que haja baixa profusão de conhecimentos. (BELLEN; TREVISAN, 2008).

Os motivos da expansão das análises de políticas públicas no Brasil podem ser atribuídos a três aspectos principais. Conheça esses aspectos!

  1. Deslocamento da agenda pública Discussão limitada aos impactos do desenvolvimento, marcado pelo projeto de modernização conservador do regime ditatorial (relacionado ao modelo brasileiro de desenvolvimento).

  2. Efetividade da ação pública Constatação de que ainda existiam obstáculos à efetivação de políticas públicas sociais.

  3. Reforma do Estado Estado como organizador da agenda-pública.


2.2 Ciclo das políticas públicas

Para efeitos didáticos e analíticos os estudiosos das ciências políticas estabeleceram metodologias que identificam etapas, fases, ou momentos das políticas.

Não existe uma classificação universal para essas fases, pois há compreensões diferentes no que se refere a algumas fases. Ao final desta seção, você será capaz de identificar as fases das políticas públicas e compreender a necessidade de entender as políticas públicas de maneiras mais aprofundada.

Policy cycle

Pode-se dizer que a abordagem de ciclo de políticas públicas, ou policy cycle, considerada uma das mais importantes da análise de políticas públicas, inclui as seguintes fases (SOUZA, 2006)

  • definição de agenda;

  • identificação de alternativas ao problema em questão;

  • análise das opções;

  • fase de seleção das opções mais adequadas;

  • implementação e avaliação.

Saiba mais:

A abordagem do ciclo de políticas públicas consiste em uma metodologia para o estudo e compreensão das políticas públicas, principalmente, no que se refere a seus resultados – grau de atendimento das expectativas inicialmente propostas.


Outras classificações

Existem outras classificações e/ou divisões das fases do ciclo de políticas públicas, Klaus Frey (2000) considera a sequência pela ordem a seguir.

Definição Agenda Setting Fase que corresponde à etapa na qual um determinado problema social chama a atenção do governo.

Formulação Momento no qual o governo reflete sobre a questão buscando um planejamento adequado que possa solucioná-lo.

Decisão Consiste na escolha do melhor planejamento.

Implementação Quando as ações propostas são colocadas em prática e, dependendo dos resultados obtidos, a política pode ser reformulada.

Feedbacks

Ao considerar o sistema político como um ciclo, supõe-se que alguns indicadores sejam levados em conta, como insumos, que ao passar pelas fases do ciclo se transformam em produtos finais que retroalimentam o ciclo com seus feedbacks, positivos ou negativos, para a reformulação das políticas públicas. (CAMÕES, 2013)


Ainda há metodologias específicas para a análise de cada uma das etapas ou fases da política pública, no entanto, ao utilizar a metodologia de ciclos é preciso se atentar à ressalva de que as fases não ocorrem de maneira isolada, com o fim de uma ao início da seguinte e, nem sempre elas se dão
de forma sequencial.


Implementação

A implementação é executada pelos atores sociais sejam eles governamentais ou não, aos quais pode ser atribuída a denominação de stakeholders, ou parte interessada, que negociam as decisões a serem tomadas e participam ativamente de todo este processo.

Saiba mais:

Os principais problemas da implementação – execução – de políticas públicas estão na ausência da participação dos atores sociais da implementação na fase de formulação da política pública – momento no qual as estratégias são pensadas.


Visões verticalizadas

Segundo Camões (2013), no processo decisório da formulação de políticas públicas existem duas perspectivas, a top down e a bottom-up, ou seja, visões verticalizadas, de baixo para cima ou de cima para baixo, acompanhe a seguir:

Top down Supõe um processo decisório hierarquizado, ou seja, as decisões são formuladas nas altas instâncias do poder e implementadas nas baixas.

Bottom-up Opõe-se ao top down por colocar o foco na ação dos atores.

Perspectivas

Na prática, percebe-se que as duas perspectivas são passíveis de críticas, pois uma prioriza demais os atores de alta cúpula, enquanto a segunda prioriza demais as decisões locais, o ideal é que sejam adotadas perspectivas que mesclem as duas visões, trazendo um diagnóstico mais aproximado da realidade, lembrando que não há um modelo ideal no que se refere à implementação de políticas públicas.

A abordagem de redes apresenta uma alternativa às perspectivas verticalizadas, trata-se de uma abordagem horizontal, ou seja, que evidencia as relações entre os atores sociais que, como apresentado pela teoria de municipalização são os principais responsáveis pela implementação de políticas públicas.


2.3 Implementação política e municipalização de políticas públicas

O Brasil passou por um processo de descentralização política, que teve início com a Constituição de 1988, e a implementação do Federalismo Brasileiro.
A descentralização da política brasileira pode ser compreendida como transferências de responsabilidades e direitos aos entes federativos, sejam eles estados ou municípios. Ao final desta seção, você compreenderá algumas questões relacionadas ao papel do município neste novo cenário.


A descentralização política do Brasil foi originada pelo Federalismo, no entanto, esse processo só se iniciou com o fim do regime ditatorial, com a retomada da autonomia dos municípios, atuais responsáveis pela implementação de políticas públicas.


Linha do tempo - Democracia

Conheça a importância das datas.

1985 O país estava se redemocratizando e, por isso, surgiu a necessidade de se pressionar o sistema tributário, levando-se em conta a necessidade dos municípios recuperarem sua autonomia para que pudessem arrecadar impostos com o objetivo de aumento de receita municipal. (CARDOZO, 2007)

1988 Foi promulgada a Constituição Federal que elevou os municípios ao status de entes federativos autônomos, isso quer dizer que os municípios se tornaram aptos a tomar decisões deliberativas no âmbito da política, da administração e do gerenciamento das finanças municipais, contando claro com certos limites determinados pela Constituição. (BRASIL, 1988)

A partir dos anos 90

Na verdade, a Constituição resgatou os princípios federalistas que foram ocultados durante o período de regime ditatorial no Brasil. Entretanto, nos anos 90 ocorreu um processo de aumento dos impostos da União, concomitantemente à diminuição dos repasses e créditos federais à projetos não constitucionais em municípios e Estados. Esse novo contexto marcou um processo de implementação do Federalismo no Brasil, o qual teve por base a ideia da cooperação entre os entes federativos, mas que, no entanto, na prática se consolidou em transferência de responsabilidades. (ABRUCIO; FRANZESE, 2007)

Assim, surgiu o termo municipalização, uma vez que, a partir de então, as políticas públicas passaram a ser executadas e implementadas pelos municípios.

Ressalta-se que a esta altura da história do Brasil os municípios já apresentavam graus muito diferentes de desenvolvimento, de aculturação, de arrecadação de renda e de superação das demandas sociais, assim, ao receberem essas novas incumbências cada município obteve respostas e resultados diferentes para as políticas públicas. (ABRUCIO, 2010)

Descentralização política

Conforme Abrucio (2010), a descentralização política tem efeitos positivos e negativos, acompanhe a seguir:

Positivos Considera-se que há uma maior facilidade na identificação de execução de políticas municipais.

Negativos Os municípios ficam financeiramente dependentes de seus entes federativos superiores.

Excesso de poder

Para completar, questiona-se o fato de a municipalização ter gerado excesso de poder dos representantes municipais que, por vezes, tanto por questões partidárias quanto culturais desconsideram possibilidades de resolver questões de forma compartilhada ou associada. (ABRUCIO, 2010; ABRUCIO; FRANZESE, 2007).


São os atores sociais por intermédio de suas ações concretas que constroem a implementação das políticas públicas, compondo grupos, equipes, ou redes responsáveis que atuem de maneira cooperativa garantindo a institucionalização da política.


Dificuldades de implementação

As dificuldades de implementação de políticas públicas em municípios são decorrentes de alguns fatores. Acompanhe.

Financeiro Inclui aspectos de arrecadação de renda do município.

Capacitação Falta de capacitação técnica dos atores.

Técnica Despreparo técnico.

População Falta de envolvimento da população.

Consciência Falta de conscientização dos atores responsáveis pela implementação.

Cooperação Falta de cooperação principalmente nos momentos de formulação e implementação.

2.4 Implementação política e municipalização de políticas públicas

Você saberia dizer como se planejam as políticas públicas? Como todo planejamento estratégico, a política pública estabelece algumas metas que pretende atingir, nesse contexto, a avaliação de políticas públicas se torna o instrumento de mensuração do alcance dessas atividades e, consequentemente, fornece subsídios para que a política possa ser avaliada e reestruturada caso haja necessidade.

Nesta seção, você compreenderá a necessidade da avaliação de políticas públicas e será apresentado aos principais métodos avaliativos.

Encerramento do ciclo

O encerramento do ciclo político só ocorre quando os objetivos de um determinado programa ou política em questão forem atendidos, do contrário inicia-se um novo ciclo que visa superar as questões colocadas anteriormente. (SOUZA, 2006)

Eficácia e eficiência

Os conceitos de eficácia e eficiência são instrumentos e ferramentas para a avaliação de políticas públicas, acompanhe a seguir a explicação sobre cada uma delas.

Eficácia Considera-se que com a eficácia é possível mensurar a relação entre os resultados obtidos e os resultados pretendidos com relação ao tempo, em outras palavras, com tal instrumento é possível verificar o nível ou grau de alcance dos objetivos, ainda que não se leve em conta os quesitos financeiros.

Eficiência A eficiência, no entanto, mensura o grau de alcance dos objetivos de determinada política pública.

Podem ser utilizadas ainda as noções de entraves e filtros institucionais que são regras e normas legitimadas que impedem que uma rede de atores cooperativos já constituída opere. (ALMEIDA; L. et al., 2006)

Diálogo entre os personagens Marcos e Andréa:

Andréa Marcos, eu estava aqui pensando sobre as avaliações que são feitas sobre as políticas públicas. A quem interessam os resultados dessas avaliações? O que você acha?

Marcos Olha Andréa, os resultados interessam tanto à população em geral, quanto aos formuladores de políticas públicas, seus gestores, comunidade científica entre outros grupos. Porém, esses resultados podem ser considerados problemas para os gestores públicos pois resultados negativos podem causar-lhes certo constrangimento.

Andréa É verdade, mas por outro lado, resultados positivos são comumente usados nas estratégias de marketing político, não?

Marcos Sim, você tem razão, é em direção à diversidade de interesses da avaliação de políticas públicas que se atribui o fato de as mesmas serem realizadas por estudiosos de áreas diversas da ciência.

Na prática

As metodologias utilizadas também são diversas e estão relacionas ao timing (tempo) da política em questão, por exemplo, existem métodos que avaliam o período anterior à promulgação de políticas, outras ocorrem durante seu processo de implementação ou formulação e, por fim, outras se dedicam a avaliar os resultados efetivos. (BELLEN; TREVISAN, 2008)


Fechamento

Agora você sabe que é por intermédio das políticas públicas que o governo atua nas demandas sociais e promove o desenvolvimento das localidades. Relembre o conteúdo.

  1. Inicialmente, você viu sobre o conceito de política e seu significado do ponto de vista semântico.

  2. Depois, você conheceu o conceito de políticas públicas, seu significado e importância.

  3. Em seguida, conheceu uma das mais importantes abordagens de análise da política pública, o ciclo de políticas públicas e suas fases.

  4. Logo, pôde entender de que forma ocorreu a descentralização política brasileira e quais são suas principais consequências.

  5. Você também conheceu os aspectos positivos e negativos da descentralização e municipalização das políticas públicas.

  6. Pôde identificar a importância da avaliação de políticas públicas.

  7. E, finalmente, conheceu alguns instrumentos necessários para a avaliação de políticas públicas.

Quiz

Questão 01

O termo política tem origem grega, de acordo com sua origem etimológica, escolha a alternativa que apresente o significado correto.

A) Bem-estar social.

B) Trabalho para o bem da cidade ou Estado.

C) Democracia.

D) Autoritarismo.

Resposta

Alternativa B) Trabalho para o bem da cidade ou Estado.

De acordo com sua origem etimológica, o termo política significa o trabalho para o bem da polis (compreendido como cidade-estado grega).

Questão 02

Política pública é um termo largamente utilizado, especificamente, no que se trata de programas e projeto governamentais. Escolha a alternativa correta que apresente o conceito.

A) Partidos que incluem a população.

B) Municipalização de políticas sociais.

C) Organização da estrutura administrativa de um país ou nação.

D) Ação do Estado, ou seja, a forma como o governo age diante das demandas sociais.

Resposta

Alternativa D) Ação do Estado, ou seja, a forma como o governo age diante das demandas sociais. A política pública é em sua essência qualquer forma de atuação do Estado.

Questão 03

A teoria do ciclo de políticas públicas é uma metodologia muito utilizada para a análise de políticas públicas, sobre esta teoria observe as afirmações a seguir e escolha as corretas:

A) A teoria do ciclo de políticas públicas caiu em desuso.

B) A implementação e avaliação são consideradas fases.

C) Possui diferentes classificações quanto às fases que a compõem.

D) É necessário se atentar ao fato de que as fases não ocorrem de maneira sequencial ou isoladas.

Resposta

Alternativa B) A implementação e avaliação são consideradas fases.

Alternativa C) Possui diferentes classificações quanto às fases que a compõem.

Alternativa D) É necessário se atentar ao fato de que as fases não ocorrem de maneira sequencial ou isoladas.

A teoria de ciclo de políticas públicas, embora seja passível de críticas, é ainda válida e utilizada.

Questão 04

A descentralização política do Brasil é uma consequência do modelo federalista aqui adotado, sobre esse processo escolha a alternativa correta.

A) A descentralização política retirou a autonomia dos municípios e Estados.

B) A descentralização política é típica do regime autoritário de governo da ditadura.

C) A descentralização política tornou os municípios entes federativos responsáveis pela implementação de políticas públicas.

D) A descentralização política e o federalismo são negativos para o desenvolvimento do país, pois se resumem em perda de poder do governo central.

Resposta

Alternativa C) A descentralização política tornou os municípios entes federativos responsáveis pela implementação de políticas públicas. A descentralização política alterou à dinâmica da implementação das políticas públicas que, nesse contexto, são realizadas pelos atores sociais de municípios e Estados.

Questão 05

Sobre a avaliação de políticas públicas, escolha as afirmações corretas.

A) Corresponde à última etapa do ciclo da política pública.

B) Alimenta o ciclo de políticas públicas com feedbacks necessárias à reformulação.

C) É desnecessária quando a política já foi implementada.

D) Pode ocorrer antes, durante ou após a implementação da política em questão.

Resposta

Alternativa A) Corresponde à última etapa do ciclo da política pública.

Alternativa B) Alimenta o ciclo de políticas públicas com feedbacks necessárias à reformulação.

Alternativa D) Pode ocorrer antes, durante ou após a implementação da política em questão.

Apenas a assertiva C está incorreta, após a implementação é possível mensurar os resultados da política e assim submetê-la à reformulação caso julgue necessário.


Fonte: ENA Virtual

Alguns Desafios das Políticas Sociais Brasileiras

Pós Graduação em Gestão Pública - IFSC
Disciplina: O Estado e os Problemas Contemporâneos
Professor: Luiz Henrique M. Queriquelli
Aluno:      Jorge Schemes
                     
Pesquisa: Desafios das Políticas Sociais Brasileiras.
Numerosos e complexos são os problemas sociais no Brasil. Nos últimos anos as políticas públicas, colocaram a Saúde; a Educação; a Assistência Social, a Segurança Alimentar; o Trabalho e a Geração de Renda no centro das suas prioridades. Existe um anseio por um país com mais justiça social, fazendo valer de verdade, o que a Constituição de 1988 nos diz no seu artigo 194, entre outras coisas:
A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos à saúde, à previdência e à assistência social.
Educação
Avanços significativos foram alcançados nos anos recentes pela Educação brasileira, esta área de política ainda apresenta grandes desafios a serem enfrentados pelo Estado brasileiro. Mesmo que tenhamos atingido praticamente a universalidade da cobertura da população em idade escolar do nível fundamental (estudantes de 7 a 14 anos), a qualidade do ensino e da gestão escolar e das desigualdades nas condições de acesso e permanência das crianças e jovens na escola e nas universidades ainda são problemas graves.
A inscrição da Educação como “direito de todos” já constava da Constituição de 1934, elaborada nos primórdios da Era Vargas. Datam daquele período, também, os primeiros esforços para a implantação de um sistema educacional de âmbito nacional. Mas foi apenas na Constituição de 1988 que ela tornou-se um “dever do Estado”, devendo ser provida de forma universal, ao menos no nível básico.
Atualmente, o financiamento à educação no País provém de diversas fontes, sendo sua composição múltipla e complexa. O MEC centraliza boa parte das receitas e dos recursos destinados à política educacional, redistribuindo-os através de transferências. O grande “caixa” da Educação é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), onde estas receitas são reunidas.
Organizado como uma autarquia ligada ao Ministério da Educação, aplica recursos nos Estados, no Distrito Federal, nos municípios e em organizações não governamentais para atendimento às escolas públicas de educação básica, além de financiar diversos programas, tais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o Programa Nacional do Livro Didático, o programa Brasil Alfabetizado, entre outros.
Em 2007, o MEC lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que trazem instrumentos de avaliação de políticas destinadas à melhoria da qualidade de ensino. Os governos subnacionais elaboraram seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR), nos quais definem metas e ações passíveis de acompanhamento público e controle social.
O PDE estrutura-se em torno de quatro eixos de ação: Educação Básica; Educação Superior; Educação Profissional; e Alfabetização e Educação Continuada. Visa a identificação e priorização de algumas mazelas da Educação Nacional.
De acordo com o censo escolar de 2007, cerca de 30% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental tinham idade superior a 14 anos, o que significa que estariam passando mais tempo neste nível do que o adequado. A repetência leva a evasão escolar.
A qualidade no Ensino Médio nas escolas públicas é baixa como mostra o Saeb (INEP/MEC, 2004, apud IPEA, 2007). Através des ações nele previstas o governo espera que tal quadro esteja modificado pelo menos até o ano de 2022. Para isso, desenvolveu um indicador de qualidade para medir o desempenho dos alunos e das escolas de educação básica de todo o País – o IDEB – que permite, além de acompanhar os avanços alcançados, detectar as escolas e regiões que mais precisam de apoio.

Saúde
A Comissão Nacional de Reforma Sanitária, constituída a partir das conclusões e recomendações da VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, conseguiu introduzir na Constituição Federal de 1988 importantes mecanismos para a transformação do Sistema Nacional de Saúde. Adotando os princípios de universalidade e equidade no atendimento á saúde, o Brasil se colocou como um dos países mais avançados do mundo em termos de legislação social, notadamente, ao considerar que:
"A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação" (CF, art. 196).

Os Institutos Previdenciários é que proviam a Assistência médico-hospitalar até o inicio dos anos 1980, além de aposentadorias e pensões mediante comprovação de recolhimento dos trabalhadores e empresários. As campanhas de vacinação de erradicação de doenças eram realizadas pelo Estado através de seus ministérios e secretarias. O ministério da Saúde não protagonizava as políticas de saúde pública e a partir de 1970 há um destaque maior para os médicos especialistas, que promovem a expansão do mercado de trabalho médico e das escolas. Também a Reforma Sanitária reforça a atenção primária onde buscava conciliar a demanda por inclusão com a contenção dos gastos públicos. A proposta do SUS de universalizar o acesso a saúde que ainda não se concretizou devido às dificuldades para financiamento encontradas desde a fundação do SUS e da renovada força dos interesses privados vinculados ao chamado “complexo industrial da saúde” tem comprometido o avanço deste projeto. Atualmente o SUS é de responsabilidade dos três níveis de governo, com vinculação constitucional de receitas. Contudo, 70% destas correspondem a recursos federais, que são, em sua maioria, repassados para fundos estaduais e municipais de saúde, ou pagos diretamente aos prestadores de serviços.
Para ampliar o acesso da população à saúde e à programas de prevenção de doenças, bem como aos serviços e aos profissionais da área da saúde, seguem algumas das Ações e Programas do Ministério da Saúde: PROVAB - O programa leva mais médicos para mais perto da população. ACADEMIA DA SAÚDE - Estimula a criação de espaços públicos adequados para a prática de atividade física e de lazer. SAÚDE DA FAMILIA - Atua na manutenção da saúde e na prevenção de doenças, alterando, assim, o modelo de saúde centrado em hospitais. MAIS MÉDICOS - faz parte de um amplo pacto de melhorias no atendimento aos usuários do SUS. MELHOR EM CASA - Amplia o atendimento domiciliar aos brasileiros no Sistema Único de Saúde (SUS). FARMÁCIA POPULAR - Medicamentos essenciais são vendidos a preços mais baixos que os praticados no mercado. CARTÃO NACIONAL DE SAÚDE – É um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos. PRONTO ATENDIMENTO - As UPA 24h.DOAÇÃO DE ÓRGÃOS, SAMU, OLHAR BRASIL - Objetivo principal de identificar problemas visuais em alunos matriculados na rede pública de ensino fundamental e em pessoas com mais de 60 anos de idade. HUMANIZASUS - Estratégias construídas por gestores, trabalhadores e usuários do SUS para qualificar a atenção e gestão em saúde. MEDICAMENTO FRACIONADO - Remédios fabricados em embalagens especiais e vendidos na medida exata recomendada pelo médico. REDUÇÃO DA MORTALIDADE, BANCO DE LEITE HUMANO, PROGRAMA DE CONTROLE DO CÂNCER e CONTROLE DO TABAGISMO

Assistência Social e Segurança Alimentar
Foi à partir da constituição de 1988 que a Assistência Social tornou-se uma política de Estado, ou seja, independe de vontade partidária, pois passou a ser obrigatória. A criação do programa Fome Zero em 2003 foi um marco importante para a política de Segurança Alimentar brasileira, a qual está sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) criado em 2004. Dentre as atribuições do MDS destacam-se: Programa Bolsa Família; Sistema Único de Assistência Social; Programas ligados a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN).
Há várias medidas de estratégia do Programa Fome Zero, dentre elas destacam-se o Programa Bolsa Família, sendo que o Programa Fome Zero está configurado com os seguintes princípios: Acesso à alimentação; Geração de Renda; Fortalecimento da Agricultura Familiar; Articulação, Mobilização e Controle Social.             Para o recebimento do Bolsa Família pelo Programa Fome Zero, a família tem de se comprometer em manter as crianças e adolescentes, em idade escolar, frequentando a escola; a cumprir a vacinação das crianças entre 0 e 6 anos; e a cumprir a agenda pré e pós-natal das gestantes e mães em amamentação.
O MDS por meio do Programa Fome Zero da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) desenvolve outras ações, ou seja: Banco de alimentos. Carteira indígena. Cisternas. Cozinhas comunitárias. Distribuição de alimentos. Educação alimentar e nutricional. Programa de aquisição de alimentos. Restaurante popular. Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento local (CONSADs). Há ainda outros componentes importantes do Fome Zero: Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).
O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), tem no âmbito da segurança alimentar o CONSEA que tem caráter consultivo e assessora o Presidente da República na formulação da política. O CONSEA está mobilizado para a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Proposta de Emenda Constitucional que inclui a alimentação entre os direitos sociais estabelecidos no Artigo 6º da Constituição (PEC-47).

Políticas Públicas de Trabalho e Geração de Renda
Ao tratarmos os temas de trabalho e geração de renda, devemos entender que os tópicos não estão, obrigatoriamente, relacionados. O melhor meio de definir o tema é subdividir a população em:
1. População em idade ativa (PIA) acima de 10 anos de idade;
2. População economicamente ativa (PEA): População com potencial de mão de obra a qual poderá integrar o setor produtivo. Englobando a População Ocupada  e População Desocupada.
3. População não economicamente ativa (PNEA)/ População economicamente inativa (PEI): Compõe as pessoas que desistiram de buscar trabalho, que não querem trabalhar ou que estejam incapacitadas para o trabalho. Compõem ainda este grupo os "desalentados", que são pessoas em idade ativa que estão desempregadas e há mais de um mês não buscam trabalho.
4. População em idade economicamente não ativa (PINA): População com menos de 10 anos de idade.
Diante da definição e divisão clara da população devemos entender a evolução nos modelos de trabalho e, neste sentido, trataremos o Fordismo e o Toyotismo que referem-se aos modelos de realização do trabalho. O modelo anteriormente instituído e amplamente difundido nas atividades laborais foi o Fordismo, que caracterizava-se pela execução individual do trabalho minimizando as interferências onde o empregado atuava com uma única máquina/ ferramenta e qualquer que fosse sua necessidade era levada ao seu superior para resolução da necessidade. Ele é marcado também pela produção em larga escada de um único produto, atendendo assim as necessidades das grandes massas.
Posteriormente surgiu o Toyotismo que trouxe uma visão diferenciada das dinâmicas de trabalho. Neste modelo o empregado executava mais funções em mais de uma máquina, permitia-se trabalhar em grupos e até executar projetos personalizados.
A definição dos modelos de trabalho em muito explica a nossa atual legislação que visa atender os trabalhadores, nos ditames do modelo fordista e, por este motivo, tem sua ações discutidas e referendadas nas entidades de classe como os sindicatos e as associações empresariais. O modelo toyotista busca uma relação mais próxima com o trabalhador, possibilitando contratos individuais à medida da capacidade e necessidade desta relação. Este segundo modelo de tem ganhado força, pouco a pouco, e tende a substituir as antigas dinâmicas das relações de trabalho.
Quando tratamos Trabalho e Geração de Renda devemos entender que uma grande parcela da população não dispõe de um  emprego formal e, por consequência, de carteira assinada. Devemos entender também que a população com carteira assina é melhor remunerada do que a que está no mercado informal mas, não podemos, em momento algum, desconsiderar a parcela da população que atua com trabalhos informais.
O denominado mercado de trabalho diferencia-se da "geração de renda" que compreende todas atividades exercidas de modo autônomo ou precário que promovam renda/subsistência e, por este prisma, necessitem de melhorias. Para melhor estabelecer a empregabilidade estabeleceu-se o Programa Nacional de Qualificação (PNQ) que vista, também, e promover melhorias nas ações realizadas no "mercado informal"  promovendo a geração de renda eficaz e eficiente.
Diversas são as medidas tomadas, hoje, para promover o equilíbrio entre o trabalhador e o empregador, de modo a minimizar as pessoas que, ao saírem de seus empregos, necessitem de programas de renda como o Seguro Desemprego e o Bolsa Família.
Dentre as dificuldades atuais para implementação dos programas sociais, há de se destacar a necessidade de sensibilização da população para os reais motivos para os quais os programas assistenciais foram criados. Entender o objetivo, promover oportunidade de rendimento, seja por meio de ações individuais, coletivas ou ligadas ao mercado de trabalho, é o primeiro passo efetividade das ações sociais.  Para que o trabalho formal possa se difundir e proliferar, há a necessidade de simplificação para empreender e de se minimizar a intervenção estatal nas relações entre Empregador e Trabalhador e, por óbvio, as relações abusivas devem continuar sendo objeto de apreciações do judiciário que deverá atuar sempre de modo imparcial.


Referências:
Ministério da Saúde. Disponível em: <portalsaude.saude.gov.br>. Acesso em: 30 out. 2014.
Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 30 out. 2014.
Ministério de Assistência Social. Disponível em:<http://www.mds.gov.br>. Acesso em 30 out. 2014.
Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/portal-mte>.

SANTOS, Maria Paula Gomes dos. O Estado e os problemas contemporâneos. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC, 2012.