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Curso: Gestão por Competências - Unidade II - Metodologias de Implementação da Gestão por Competências

 Sumário

Gestão por Competências

Unidade 2 Metodologias de Implementação da Gestão por Competências

2.1 Introdução às metodologias de implementação da Gestão por Competências

2.2 Metodologia de mapeamento de competências

2.3 Metodologia de mensuração de competências

Unidade 2 - Metodologias de Implementação da Gestão por Competências

Introdução

Na unidade anterior, você conheceu o que são competências e as premissas adotadas por um sistema de Gestão por Competências. Nesta unidade, você compreenderá dois aspectos fundamentais para a Gestão por Competências: o mapeamento e a mensuração de competências. Você saberá como ocorrem as ações de identificação, captação e desenvolvimento de competências por intermédio do estudo dos objetivos estratégicos da organização.

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta Unidade de estudo, você será capaz de:

  • Reconhecer os processos iniciais de mapeamento e mensuração de competências;

  • Compreender como adequar as competências dos profissionais às competências esperadas pela organização;

  • Identificar perfis profissionais e desenvolver indicadores de competências.

2.1 Introdução às metodologias de implementação da Gestão por Competências

Você se lembra da situação envolvendo Joana e Carlos, que você acompanhou na apresentação de nosso curso? Se não se lembra, clique sobre o ícone “Na prática”, abaixo.

Como você viu, a supervisora de Carlos resolveu promovê-lo para atuar na área de atendimento. Embora Carlos tivesse alguns conhecimentos e habilidades necessários para exercer a função, ele não apresentava a capacidade de comunicação, desejável para quem atua no atendimento ao público.

Na prática:

Relembre o caso apresentado na apresentação do curso: Em uma empresa, surge uma vaga para a área de atendimento direto ao público à quais todos podem se candidatar. Carlos, funcionário da empresa, embora se sinta atraído pelo possível acréscimo em seu salário, sabe que não tem perfil para atender ao público, pois é introvertido e não gosta muito de conversar. Sua supervisora, no entanto, o inscreve no processo seletivo, e, por ter todos os conhecimentos e experiências necessários para assumir o cargo, Carlos é chamado para assumi-lo.


Identificação de competências

Faltava a Carlos a atitude, uma competência comportamental. Mas como a supervisora de Carlos poderia ter identificado que ele necessitava desenvolver a competência comportamental antes promovê-lo à área de atendimento? Você tem ideia? Uma questão relevante quando uma organização adota a Gestão por Competências, é identificar, captar e desenvolver competências humanas, a fim de gerar e sustentar as competências organizacionais necessárias para que ela possa alcançar os objetivos estratégicos almejados. Se a organização em que Carlos trabalha adotasse um modelo de Gestão por Competências, você acha que ele assumiria a vaga na área de atendimento? Você deve ter respondido que não. Afinal, falta a ele a atitude necessária para o cargo: a capacidade de se relacionar com as pessoas. Portanto, antes de assumir o cargo, Carlos precisaria desenvolver o comportamento necessário. E quando uma organização adota um modelo de Gestão por Competências, como poderá captar e estruturar informações de todos os colaboradores que nela trabalham? Como os gestores saberão como alocar eficientemente as pessoas para que elas exerçam diferentes funções?

Início do Diálogo:

Marcos: Andréa, por que você acha que eu preciso desenvolver competências para melhor desempenhar as funções que exerço? Eu passei no concurso para essa vaga e me saí muito bem, por sinal!

Andréa: Marcos, o sistema de gestão por competências que implantamos define algumas competências para as quais você precisa desenvolver algumas habilidades.

Andréa: Não basta você ter conhecimento sobre as funções gerenciais. É preciso que adote um comportamento proativo, de liderança… Sem habilidades como essas, não há como nossa área atingir os objetivos estratégicos definidos.

Marcos: Sim, entendi. Eu irei me inscrever em um programa de desenvolvimento comportamental e me tornarei um gerente exemplar. Você verá!


A gestão por competências e as estratégias organizacionais

A Gestão por Competências procura fazer com que os colaboradores tenham as competências necessárias para colocarem em prática as estratégias da organização. Deverá haver, portanto, o alinhamento entre as competências organizacionais e as competências individuais. Por isso, é importante que a organização adote um sistema de gestão por competências.

Na próxima tela, acompanhe o fluxo de ações.

Na prática:

O planejamento estratégico é uma ferramenta que possibilita à organização definir sua missão, visão e princípios.

Ele define metas, que são objetivos que a organização deseja atingir em longo prazo.

Isso torna claro o que ela necessitará fazer para que isso seja possível. É daí que surgem as competências essenciais para a organização, ou seja, aquelas imprescindíveis para que a organização ganhe eficiência, eficácia e efetividade.


Implantação do sistema de gestão por competências

Acompanhe abaixo, o fluxo de ações relacionadas à implantação do sistema de Gestão por Competências. Compreenda cada etapa.

Estratégia organizacional

Para implantar a Gestão por Competências em uma organização, é necessário conhecer o que a organização pretende ser no futuro, quais são os resultados que ela deseja alcançar, qual é a sua missão e quais são os princípios que norteiam suas atividades.

Identificação das competências essenciais da organização

Nessa fase, são definidas as competências essenciais que a organização necessita ter para atingir os resultados desejados. Para isso, é necessário analisar o quanto as competências desejadas já estão desenvolvidas na organização. Aquelas que precisarem ser desenvolvidas serão informadas e encaminhadas à área de treinamento e desenvolvimento.

Identificação das competências de cada setor

Após conhecer as estratégias essenciais para a organização, é necessário identificar também as competências essenciais de cada setor. Elas devem suportar as competências essenciais da organização.

Mapeamento das competências da organização

Nessa fase, é iniciado o processo de mapeamento das competências de todos os cargos/funções organizacionais.

Mensuração das competências de cada função

Nessa fase, são mensuradas as competências dos indivíduos que ocupam cada função na organização. A mensuração permite comparar as competências disponibilizadas pelos indivíduos e as que se deseja que eles tenham, possibilitando que programas de treinamento e desenvolvimento profissional sejam implantados.

Implantação do sistema de gestão por competências

A implantação de um sistema de gestão por competências é um processo que necessita do envolvimento de toda a organização.

Em algumas organizações, sua implantação ocorre apenas em algumas funções, geralmente gerenciais.

Não se pode afirmar que essa ação esteja errada, no entanto, ela caracteriza um sistema incompleto.

Na prática:

Apesar de a implantação do sistema não ser algo que se realiza do dia para a noite, Leme (2006, p. 22) ressalta que: “[…] é possível implantar o sistema em toda a organização e em todas as suas funções, até mesmo as mais simples, independentemente do tamanho ou do número de colaboradores e, ainda, com recursos financeiros acessíveis”.


Conscientização dos envolvidos no processo

Acompanhe as informações sobre a importância de conscientizar os servidores sobre a implantação de um sistema de gestão por competências.

Gestão por competências

Antes da implantação do sistema de gestão por competências, é necessário conscientizar todos os colaboradores da organização sobre a sua importância.

O que é competência

É importante entrar em contato com todos os setores da organização, explicando o que é competência e como é realizado o processo de gestão por competências.

Desenvolvimento pessoal

Os colaboradores devem ser comunicados sobre quais os resultados que a implantação do sistema de gestão por competências gera para o desenvolvimento deles na organização.

2.2 Metodologia de mapeamento de competências

Após a sensibilização das pessoas que integram a organização, são definidas as competências organizacionais, tendo como base os objetivos estratégicos da organização. Para cada função, são definidas as competências necessárias para que os objetivos estratégicos da organização sejam atingidos. Em seguida, são definidas as competências de cada função.

Fique atento!

Para mensurar as competências, lembre-se do conceito apresentado na unidade de estudo 1, ou seja, a competência como o conjunto de:

Conhecimentos;

Habilidades;

Atitudes.


Indicadores de competência

Para implantar o sistema de mapeamento de competências, é necessário trabalhar com indicadores. Cada competência contará com, no mínimo, três indicadores: um para mensurar conhecimento, outro para mensurar habilidade e outro para mensurar atitude.

Conheça abaixo os indicadores de competência de um gerente, por exemplo. Emitir e analisar relatórios administrativos, financeiros e comerciais, obtidos por meio do sistema de gestão.

Conhecimentos

  • Conhecimento de técnicas de redação empresarial.

  • Conhecimento de gestão comercial e financeira.

  • Conhecimento do sistema de gestão.

Habilidades

  • Prática de Gestão Comercial.

  • Prática de Gestão Financeira.

  • Prática de técnicas de comunicação comercial.

Atitudes

  • Clareza.

  • Objetividade.

  • Capacidade de análise.

  • Comunicação escrita.

Perfil de competências da função

Para você chegar ao perfil de competências da função, conforme o exemplo que acompanhou na tela anterior, o primeiro passo é a descrição da função, ou seja, o que o profissional que exerce tal função precisa saber fazer e ser. O segundo passo é mapear as competências essenciais para a organização. E é sobre isso que você aprenderá a seguir.

Como mapear competências organizacionais

Comece definindo quais são as competências que a organização necessita ter para conseguir alcançar seus objetivos estratégicos. Acompanhe, a seguir, uma metodologia desenvolvida por Leme (2006, p. 39), que possibilitará que você tenha uma lista dos indicadores de competências que a organização deve ter, chamada Inventário Comportamental.

Saiba mais:

Organizações de grande porte contam, geralmente, com uma consultoria externa para realizar a identificação das competências organizacionais. Tendo em vista a simplificação do processo, Leme (2006) desenvolveu um método denominado Metodologia do Inventário Comportamental para Mapeamento de Competências. Ele possibilita definir “[…] uma lista de indicadores de competências que traduz a conduta do comportamento ideal desejado e necessário para que a organização possa agir alinhada aos objetivos estratégicos” (Leme, 2006, p. 39).


Inventário comportamental

Na metodologia do inventário comportamental, os colaboradores da organização ajudarão a identificar os indicadores de competências da organização e de cada função.

Para identificar as competências que deve ter a organização e cada função nela exercida, siga as 5 etapas propostas a seguir.

1. Defina quem participará.

2. Colete os indicadores.

3. Consolide os indicadores.

4. Associe as competências aos indicadores.

5. Valide os resultados.


Etapa 1 – Definição dos participantes

Na etapa 1, acontece a definição de quem participará do processo. É importante que haja representantes de todos os cargos da organização.

Para obter os indicadores de competência (características como aquelas mostradas no exemplo de um gerente), reúna os participantes e explique a eles a importância da atividade.


É importante que haja representantes de todos os cargos da organização, de todos os escalões.

Se a organização for pequena, com número de até 20 colaboradores, requisite a participação de todos. Fim do Fique atento!

Já para organizações maiores, o ideal é que haja a participação de pelo menos 20% dos colaboradores.


Etapa 2 – Coleta dos indicadores

Na segunda etapa, entregue a eles formulários: Indicadores de Competências; Nome do avaliado; Cargo que ocupa; Avalie conhecimentos, práticas e atitudes que o profissional avaliado tem, ou deveria ter, para garantir o sucesso da organização, classificando-os segundo: Gosto; Não gosto; O ideal seria.

Os colaboradores deverão preencher os formulários recebidos pensando nas pessoas com as quais mantêm relacionamentos profissionais na organização. Para cada pessoa avaliada, um formulário deverá ser preenchido. Verifique, abaixo, um exemplo de preenchimento do formulário. Gosto da forma rápida com que ele soluciona os problemas do usuário; porque ele encontra soluções criativas para resolver os problemas difíceis que aparecem. Não gosto da forma pouco cordial com que trata os colegas de trabalho; de como reage mal ao ouvir feedbacks. O ideal seria que ele fosse mais objetivo ao expor suas ideias; que ele estimulasse mais o trabalho dos colegas.

Fique atento!

Leme (2006, p. 46) ressalta que ao refletir sobre uma pessoa, especificamente sobre seus comportamentos e sobre o jeito dela se portar no desempenho de suas funções, é possível identificar as competências que essa pessoa tem, que contribuem para o sucesso da organização.


Etapa 3 – Consolidação dos indicadores

Depois que os colaboradores tiverem registrado os indicadores nos formulários, deve ser criada uma lista contendo todos os indicadores para cada cargo/função da organização. Esse documento é denominado Lista de Indicadores de competência.

Ao fazer a transcrição dos indicadores, tenha os seguintes cuidados:

  • adote a forma infinitiva do verbo, por exemplo, ser cordial, saber ouvir;

  • adote o sentido ideal do indicador para a organização: ser cordial com os usuários;

  • elimine indicadores duplicados, tanto em um mesmo formulário quanto em formulários preenchidos por pessoas diferentes;

  • se em uma mesma frase houver mais de um indicador de competência, separe-os.


Etapa 4 – Associação das competências aos indicadores

Depois que a lista de indicadores estiver pronta, é necessário identificar as competências mais adequadas para caracterizar cada indicador. Acompanhe como foi feita a associação de competências aos indicadores levantados anteriormente. Indicadores apurados Solucionar de forma rápida os problemas do usuário. Trazer soluções criativas para os problemas. Ser cordial. Saber ouvir feedbacks. Ser objetivo. Estimular o trabalho dos colegas. Competência Associada; Foco no cliente. Criatividade. Relacionamento Interpessoal. Relacionamento Interpessoal. Capacidade de síntese. Liderança.

Etapa 5 – Validação dos resultados

Nessa etapa, tendo em mãos a lista de competência contendo os indicadores relacionados e conhecendo os objetivos estratégicos da organização, deve ser verificado se as competências definidas possibilitam que os objetivos estratégicos sejam alcançados.

Aqui, é concluído o mapeamento das competências da organização.


O artigo intitulado Gestão por competências no setor público: exemplos de organizações que adotaram o modelo, de Fevorini, Silva e Crepaldi (2014), expõe a implantação do Sistema de Gestão de Competências em organizações públicas.


2.3 Metodologia de mensuração de competências

Anteriormente, você viu que um sistema de gestão por competências se desenvolve segundo o fluxograma de processo apresentado a seguir. Estratégia organizacional; Para implantar a Gestão por Competências em uma organização, é necessário conhecer o que ela pretende ser no futuro, quais são os resultados que ela deseja alcançar, qual é a sua missão e quais são os princípios que norteiam suas atividades. Identificação das competências essenciais da organização; Nessa fase, são definidas as competências essenciais que a organização necessita ter para atingir os resultados desejados. Para isso, é necessário analisar o quanto as competências desejadas já estão desenvolvidas na organização. Aquelas que necessitarem ser desenvolvidas, são informadas e encaminhadas à área de treinamento e desenvolvimento. Identificação das competências de cada setor; Após conhecer as estratégias essenciais para a organização, é necessário identificar também as competências essenciais de cada setor. Elas devem suportar as competências essenciais da organização. Mapeamento das competências da organização; Nessa fase, é iniciado o processo de mapeamento das competências de todos os cargos/funções organizacionais. Mensuração das competências de cada função; Nessa fase, são mensuradas as competências dos indivíduos que ocupam cada função na organização. A mensuração permite comparar as competências disponibilizadas pelos indivíduos e as que se deseja que eles tenham, possibilitando que programas de treinamento e desenvolvimento profissional sejam implantados. Tendo acompanhado o sistema de gestão por competências até o estágio de mapeamento das competências organizacionais, agora é o momento de você aprender como definir as competências necessárias para cada cargo/função da organização. Nessa etapa, a participação do gestor de cada área é fundamental. É ele quem analisará a lista das competências relacionadas a cada função desempenhada em seu setor de atuação. Caso identifique outras competências necessárias para que a área de gerência cumpra os objetivos estratégicos, estas deverão ser inseridas na lista de competências do cargo ou função correspondente.

Identificadores de competência

Vamos utilizar novamente o exemplo de Joana e Carlos, citado nesta unidade de estudo, para lhe explicar como identificar as competências essenciais a uma função. Prossiga!

Definição de competências

Você já viu que os colaboradores da organização preencheram os formulários, o que possibilitou definir um conjunto de indicadores para as diferentes funções da organização. Para exemplificar como identificar as competências essenciais a uma função, apresentamos aqui o exemplo de Carlos. Acompanhe!

Lista de indicadores - A partir da lista de indicadores da função, desenvolvida anteriormente, o gerente do setor de atendimento (no qual Carlos deseja trabalhar) definirá quais são os indicadores que o indivíduo que assumirá a função de atendimento ao público deverá ter.

Análise dos indicadores - Para saber quais são os indicadores mais importantes para essa função, ele analisa cada indicador da lista de indicadores, segundo o seu grau de importância para o desempenho da função.

Escala de importância do indicador - Para facilitar a análise dos indicadores, ele utiliza uma escala para definir o grau de importância de cada indicador para a função, segundo: Muito forte; Forte; Normal; Não se aplica. Definição de competências; Função: Atendente. Instruções: Analise cada indicador e marque com um X na coluna que representa o grau de necessidade dele para o desempenho dessa função. Indicadores de competência - Solucionar de forma rápida os problemas do usuário; Muito Forte. Trazer soluções criativas para os problemas; Não se aplica a função. Ser cordial; Forte. Saber ouvir feedbacks; Forte. Ser objetivo; Normal. Estimular o trabalho dos colegas; Não se aplica a função

Identificação das competências de uma função

Depois de avaliar os indicadores, o gestor destacará para a função apenas os indicadores classificados como muito forte ou forte, ou seja, aqueles considerados de máxima importância para o exercício da função. Em seguida, para cada indicador, ele atribui a competência correspondente, conforme: Indicador: Solucionar de forma rápida os problemas do usuário. Competência: Foco no cliente. Indicador: Ser cordial. Competência: Relacionamento interpessoal. Indicador: Saber ouvir feedbacks. Competências: Relacionamento interpessoal.

(Relacionamento interpessoal: A competência relacionamento interpessoal, também tem um nível de necessidade alta (nível máximo 5) para a função de atendente. Para essa competência, entretanto, foram identificados dois indicadores: 1) ser cordial; e 2) saber ouvir feedbacks.)

Verificação do nível de competências da função

Lembre-se de que a definição de uma competência costuma ter, pelo menos, 3 indicadores, relacionados a conhecimento, habilidade e atitude. Na prática, embora aumente a quantidade de indicadores levantados e suas correspondentes competências, a metodologia é a mesma.

Finalização

Você finalizou a unidade 2 do curso Gestão por Competências. Ao longo desta unidade, você acompanhou informações sobre metodologias relacionadas à implementação da gestão por competências. Verifique abaixo a síntese da unidade 2.


Você iniciou esta unidade do curso compreendendo que quando uma organização adota a gestão por competências, ela identifica, capta e desenvolve competências humanas, a fim de gerar e sustentar as competências organizacionais necessárias para que os objetivos estratégicos almejados sejam alcançados. Depois, você conheceu o fluxo de ações relacionadas à implantação do sistema de gestão por competências: 1) estratégia organizacional; 2) identificação das competências essenciais à organização; 3) identificação das competências de cada setor da organização; 4) mapeamento das competências da organização; e 5) mensuração das competências das funções. Você viu também que para a realização do mapeamento de competências da organização e de cada função nela exercida, são colhidos indicadores de competências, os quais se relacionam aos conhecimentos, habilidades e atitudes. Além disso, você percebeu que para fazer o mapeamento de competências, pode ser adotada a Metodologia do Inventário Comportamental, composta por cinco etapas: 1) eleger amostras de redes de relacionamento; 2) coleta dos indicadores; 3) consolidação dos indicadores; 4) associação das competências aos indicadores; e 5) validação.

Por último, você acompanhou a Metodologia de Mensuração de Competências, por meio da qual o gestor de cada área da organização identifica as competências necessárias às diferentes funções exercidas em seu setor de atuação. Para isso, alguns colaboradores da organização aplicam a Planilha de Mapeamento de Comportamentos, que gera indicadores de competências que na próxima etapa do processo são traduzidos em competências de uma função.

Quiz

Agora, confira se você aprendeu tudo o que foi aqui apresentado sobre a implantação de um sistema de gestão por competências, desenvolvendo as atividades a seguir. Desejamos que você tenha um ótimo aproveitamento!

Questão 01 - A definição dos objetivos estratégicos da organização e as competências necessárias para atingi-los são cruciais para o sucesso da implantação de um Sistema de Gestão por Competências. No entanto, para que ocorra o alinhamento entre as competências organizacionais e as competências dos indivíduos, é importante desenvolver corretamente ________________.

Escolha a alternativa correspondente, que finaliza a sentença apresentada.

  1. a missão da organização

  2. o perfil dos gestores

  3. a estratégia organizacional

  4. o mapeamento das competências

Gabarito: A alternativa correta é a letra D. O correto mapeamento das competências organizacionais e a correspondente adequação delas a cada função da organização é essencial para o alinhamento entre as competências organizacionais e individuais.

Questão 02 - Sobre as competências técnicas e comportamentais, avalie as afirmações abaixo e aponte as alternativas corretas.

  1. Conhecimentos sobre técnicas de redação caracterizam uma competência técnica.

  2. A competência comportamental não pode ser mensurada e, portanto, não necessita de indicador.

  3. Cada competência conta com três indicadores, sendo dois característicos de competência técnica e um de competência comportamental.

  4. À competência comportamental são definidos indicadores de habilidade.

Gabarito: As alternativas corretas são as letras A e C. As competências técnicas são compostas pelos conhecimentos e habilidades do indivíduo, e as competências comportamentais são caracterizadas pelas suas atitudes. Ambas devem fazer parte do sistema de gestão por competências e são passiveis de mensuração.

Questão 03 - Para a consolidação dos indicadores apontados pelos colaboradores, é importante transcrevê-los. Entre as assertivas abaixo, aponte aquelas que devem ser consideradas na transcrição dos indicadores.

  1. Separar o que é competência comportamental, pois não é mensurada.

  2. Separar indicadores que se encontram na mesma frase.

  3. Descartar os indicadores que não são competências.

  4. Estar no sentido ideal para a organização. Por exemplo: dar retorno ao cliente.

Gabarito: As alternativas corretas são as letras B e D. Ao fazer a transcrição dos indicadores, é importante ter os devidos cuidados.

Questão 04 - Para a mensuração de competências, o gestor deve estar atento aos conhecimentos, habilidades e atitudes pertinentes ao perfil do profissional. Assinale as alternativas corretas.

  1. É importante que apenas os gestores e a diretoria saibam da implantação do sistema de Gestão por Competências.

  2. A competência deve ser constituída por, no mínimo, 3 indicadores: um indicador de conhecimento, outro para habilidade e um para atitude.

  3. O levantamento das competências dos colaboradores técnicos é mais importante do que o levantamento das competências dos gerentes, porque são eles que agem.

  4. É essencial que a elaboração do inventário comportamental conte com representantes de todas as funções da organização, do alto ao baixo escalão.

Gabarito: As alternativas corretas são as letras B e D. A competência deve ser constituída por, no mínimo, 3 indicadores: conhecimento, habilidade e atitude. Para a elaboração do inventário comportamental, é essencial que haja representantes de todas as funções da organização, do alto ao baixo escalão.

Questão 05 - A implantação de um sistema de gestão por competências envolve diferentes ações. Relacione os conceitos correspondentes a cada item apresentado.

  1. Gestão por Competências refere-se à

  2. Conscientização refere-se à

  3. Indicadores refere-se à

  4. Mensuração das competências refere-se à

  1. Procura fazer com que os colaboradores tenham as competências necessárias para atingirem os objetivos estratégicos da organização.

  2. É uma ação feita antes da implantação do sistema de gestão por competências em uma organização.

  3. São utilizados no sistema de mapeamento de competências.

  4. São definidas as competências necessárias para cada cargo/função da organização.

Gabarito: Gestão por Competências refere-se à Procura fazer com que os colaboradores tenham as competências necessárias para atingirem os objetivos estratégicos da organização. Conscientização refere-se à É uma ação feita antes da implantação do sistema de gestão por competências em uma organização. Indicadores refere-se à São utilizados no sistema de mapeamento de competências. Mensuração das competências refere-se à São definidas as competências necessárias para cada cargo/função da organização.

Fonte: ENA Virtual

Curso: Gestão por Competências - Unidade I - Gestão por Competências

 Sumário

Gestão por Competências

Unidade 1 Gestão por Competências

1.1 Introdução à Gestão por Competências

1.2 Visão de Competências

1.2.1 Competências organizacionais

1.2.2 Competências pessoais

1.3 Modelo estratégico de Gestão de Pessoas por Competências

 Unidade 1 Gestão por Competências

Introdução

Imagine uma organização em que as pessoas têm suas expectativas, bem como seus conhecimentos e habilidades, alinhados ao cargo que ocupam, e realizam funções que sentem satisfação em desenvolver. Imaginou? E como será o resultado do trabalho dessas pessoas? Será mais eficiente do que em uma organização em que as pessoas são colocadas em cargos nos quais não tem os conhecimentos e as habilidades necessárias? Provavelmente, sim! Com essa breve reflexão, podemos compreender quão importante é o estudo das competências para a Gestão de Pessoas, já ressaltado por Dutra (2001). Segundo ele, são as pessoas que utilizam o patrimônio e os conhecimentos da organização, atribuindo validade e aprimorando-o, possibilitando manter e construir vantagem competitiva.

Objetivos de aprendizagem

Nesta unidade, estudaremos as premissas da Gestão por Competências. Ao final dela você terá atingido os seguintes objetivos:

  • Compreender o que é competência;

  • Diferenciar competência organizacional de competência pessoal;

  • Identificar os diferentes tipos de competências pessoais na organização;

  • Reconhecer um sistema de gestão por competências.

1.1 Introdução à Gestão por Competências

Você já pensou que passamos boa parte de nossas vidas trabalhando em organizações?

Observe como a interação entre pessoas e organizações possibilitam trocas que, em ambiente saudável, geram conhecimentos, aprendizagem e crescimento mútuo. A Gestão de Pessoas, nesse contexto, evoluiu muito na busca de gerar melhor satisfação para as pessoas e melhores resultados para as organizações.


Competências e gestão de pessoas

Há pouco tempo, o relacionamento entre pessoas e organização era considerado antagônico e conflitante. Pense como deveria ser difícil gerir pessoas em um espaço onde, de um lado as organizações queriam o lucro máximo e de outro, as pessoas esperando recompensas para conquistar seus objetivos individuais. Conheça mais sobre a gestão de pessoas e a gestão por competências.

No início: interesses organizacionais e individuais eram incompatível Dutra (2004)

No entanto, nos últimos anos, a área de Gestão de Pessoas aprimorou suas práticas, pois se percebeu que gerir pessoas como recursos produtivos que devem ser controlados e coordenados, transformando-os em sujeitos passivos das ações organizacionais é ineficaz frente aos desafios organizacionais de produtividade e competição crescente.

Visão simplista perde espaço. Essa visão simplista que transforma as pessoas em parte do patrimônio físico organizacional está perdendo espaço para a visão holística, em que as pessoas adquirem novo patamar de importância constituindo o capital intelectual da organização. Surgimento da Gestão por Competências. Nesta busca por novas formas de gerir pessoas é que a Gestão por Competências surgiu como uma importante ferramenta de auxílio às práticas de Gestão de Pessoas. As competências organizacionais alinhadas às competências das pessoas no âmbito profissional permitem que estas se diferenciem frente às novas exigências do mercado. David McClelland: o precursor. O primeiro pesquisador a propor o conceito de competência de forma estruturada foi David McClelland em 1973. O que esse psicólogo queria era uma forma mais eficiente que testes de inteligência para buscar pessoas para as organizações.

Saiba mais:

David McClelland - Nascido em 1917, e falecido em 1998 foi um americano, teórico da psicologia. Reconhecido por seu trabalho em motivação do sucesso e consciência, também teve participação na criação do sistema de placar para o Thematic Apperception Test.


Ampliando o conceito

A ideia foi rapidamente aceita e ampliada para dar suporte a processos de avaliação e ações de desenvolvimento profissional. Boyatzis (1982) estruturou um conceito que procura fixar ações ou comportamentos efetivos esperados a partir das demandas de determinado cargo na organização (DUTRA, 2004). Isso significa que para cada cargo ou função na empresa, há ações e comportamentos específicos.

A transformação

A transformação da ideia de competência em um processo de gestão de pessoas ocorreu em entre 1996 e 1997, com a aplicação em uma empresa do setor de telecomunicação. As discussões proporcionaram a validação do conceito de competência e sua transformação em instrumento de gestão. Um aspecto relevante foi a consolidação de abordagens metodológicas para a concepção e implementação de um sistema de gestão de pessoas integrado com base em competências (DUTRA, 2004).

O marco

O marco para a Gestão por Competências no âmbito da Administração pública brasileira ocorreu com a Portaria nº 208/MP, de 25 de julho de 2006, que institui o Decreto nº 5.707 e resolve incluir nos instrumentos da Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal o Sistema de Gestão por Competência.

Decreto nº 5.707

No Decreto nº 5.707 fica instituído um Sistema de Gestão por Competência como uma “ferramenta gerencial que permite planejar, monitorar e avaliar ações de capacitação a partir da identificação dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores”.

Gestão por Competências

A Gestão por Competências desde os primeiros estudos, acerca de 25 anos, vem comprovando sua eficiência e se torna um processo de enorme impacto nos resultados organizacionais. Como salientado por Gramigna (2003) as empresas, tanto privadas quanto públicas, descobriram que estamos no tempo de competências.


O Decreto n° 5.707 que define como uma das diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal a Gestão por Competências é apresentado no Plano de Capacitação 2012-2015 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP


1.2 Visão de Competências

O que faz determinado indivíduo se destacar no seu trabalho? Ou determinada equipe se destacar na organização? Ou ainda uma organização ser referência no que faz? Seria a competência responsável pelos resultados individuais e organizacionais?

Para respondermos essas questões, precisamos compreender o que é competência. Veja a seguir! O que é afinal? Competência

Fleury e Fleury (2004, p.34) apontam que “competência é o saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico á organização e valor social ao indivíduo”. Um saber aplicado? Os autores Fleury e Fleury (2004) ressaltam a competência como um saber aplicado, ou seja, é algo que é reconhecido por quem a possui.

CHA – Um conjunto!

Mirabile (1997 apud HANASCHIRO, 2007) aponta a competência como um conjunto de:

  • Conhecimento,

  • Habilidade,

  • Atitude.

Ou características associadas com alta performance no trabalho, como resolução de problemas, pensamento analítico e liderança.

E o ambiente de trabalho?

CHA e o trabalho

Neste sentido, a competência se apresenta como conhecimento, habilidade e atitudes aplicadas no desenvolvimento de determinada tarefa, função e/ou atividade.

Definindo competência

Cabe observar dois aspectos importantes do conceito de competências: a mobilização de conhecimentos, habilidade e atitudes; e o resultado desta mobilização no desempenho.

Início do Diálogo:

Marcos: Andréa, você compreendeu bem a relação entre conhecimento, habilidade e atitude? Não ficou muito claro para mim.

Andréa: Fiz umas anotações, Marcos, e compreendi da seguinte forma: Conhecimento tem relação com as informações adquiridas ao longo do tempo, com os aspectos cognitivos. Relaciona-se com o SABER.

Andréa: Já a habilidade é a capacidade de utilizar o conhecimento, relaciona-se aos aspectos motores. E tem relação com o SABER FAZER. Andréa: A atitude se refere aos aspectos sociais, afetivos e ao julgamento da pertinência da ação, da motivação para fazer algo. Tem relação com o QUERER FAZER. Marcos: Hum! Acho que compreendi! Quer dizer, então, que se um indivíduo ou organização possui determinado conhecimento e habilidade, mas não possui a atitude para a ação, não é competente? Andréa: Isso mesmo, Marcos. Para que haja competência, é necessária a mobilização dos três componentes do CHA!


Componentes da competência

Veja, na imagem abaixo, a anotação de Andréa que ajudou Marcos a compreender o que é o CHA!

Competência - Figura representando a formação de uma competência: junção de: conhecimento (o saber), habilidade (saber fazer) e atitude (querer fazer). Estes três elementos juntos formam uma competência.

Elementos constitutivos da competência.

Competências e o contexto social

No ambiente de desenvolvimento das competências, há um fator relevante: o contexto social. Nesta dimensão, as condições do ambiente, como apoio gerencial e a disponibilidades de recursos também são relevantes.

Mas, para que você entenda a importância do contexto social na formação de competências, precisamos compreender a diferença entre competências organizacionais e competências individuais. A seguir, você começará aprendendo sobre as competências organizacionais, e por que elas são importantes para as organizações.


O CHA, ou seja, o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que compõem as competências, só tem validade quando colocado em prática.


1.2.1 Competências organizacionais

O que é competência organizacional? Poderíamos dizer que no contexto de uma organização privada, uma competência seria a mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o alcance das metas financeiras (ou lucro organizacional). Mas nas organizações públicas, como podemos perceber se há competência organizacional?

Observando as particularidades das instituições públicas, poderíamos dizer que uma competência seria gerar valor para a coletividade. Uma competência organizacional é uma combinação estratégica de recursos, habilidades e processos organizacionais, que são orientados e integrados para o atendimento de uma ou mais necessidades dos clientes (HANASCHIRO, 2007). A competência organizacional assume propriedades únicas, que diferenciam a organização de outras organizações, conferindo-lhe vantagem competitiva.

Tipos de competências organizacionais

No âmbito das competências organizacionais se apresentam diferentes tipos de competências, conforme apresentado por Dutra (2004). Conheça abaixo os tipos de competências organizacionais.

Competências essenciais

Fundamentais para a sobrevivência da organização e centrais em sua estratégia. No âmbito da instituição pública estaria relacionada à sua missão. Cidade dinâmica

Competências distintivas

Reconhecidas pelos clientes como diferenciais em relação aos competidores, conferem a organização vantagens competitivas. Um exemplo seria a rapidez em emitir um documento, uma certidão, ou atender o cidadão.

Competências de unidades de negócios

Pequeno número de atividades-chave (entre três e seis) esperadas pela organização das unidades de negócio.
No âmbito da instituição pública, estaria relacionada aos objetivos departamentais.

Competência de suporte

Atividades que servem de alicerce para outras atividades da organização. Por exemplo: a construção e o trabalho eficientes em equipes podem ter grande influência na velocidade e qualidade de muitas atividades dentro da organização.

Capacidade dinâmica

Condição da organização de adaptar continuamente suas competências às exigências do ambiente, ou seja, revisar continuamente o seu desempenho fortalecendo-o.

O significado das competências organizacionais

As competências organizacionais adquirem significado para os profissionais da organização por serem compostas pelo conjunto de competências individuais e, assim, promoverem o compromisso com a organização. O compromisso dos indivíduos em aplicar suas competências na organização gera a estabilidade organizacional, ao adquirirem perfil sistemático e comportamento consistente. Para isso, essas competências devem ser incorporadas aos processos e rotinas organizacionais.
Mas como incorporar as competências individuais às competências organizacionais? O que exatamente é uma competência individual? Você verá essas questões nos tópicos a seguir.

Saiba mais:

O Sistema de Gestão de Capacitação por Competências desenvolvido pelo Ministério do Planejamento por intermédio da Portaria nº 208/MP, adota três categorias de competências organizacionais: Competências Transversais Governamentais, Competências Transversais Organizacionais e Competências Setoriais (dividem-se em competências individuais técnicas e competências individuais gerenciais).


1.2.2 Competências pessoais

Para que você compreenda o que representa uma competência individual, utilizaremos a metáfora da árvore de competências sugerida por Gramigna (2002). Essa árvore representa as competências do ser humano e cada uma de suas partes têm significados específicos, sendo:

Raízes: As raízes correspondem ao conjunto de valores, crenças e princípios, formados ao longo da vida e determinam nossas atitudes.

Tronco: O tronco representam os conhecimentos, então quanto mais forte esse conhecimento, mais a competência se fortalece e permite que o profissional enfrente com flexibilidade e sabedoria os seus desafios.

Copa: A copa representa as habilidades do indivíduo, que o permitem agir com talento, capacidade e técnica, obtendo resultados positivos.

Desenvolvimento de competências individuais

Verifique a seguir as dimensões do desenvolvimento de competências individuais. Dimensão habilidade: saber fazer equivalente à aptidão técnica e motora; Dimensão atitude: querer fazer – equivalente aos valores e crenças; Dimensão Conhecimento: saber – equivalente a aspectos cognitivos e de aprendizagem.

Na prática!

Uma competência de comunicação poderia ser desdobrada em conhecimentos, habilidades e atitudes da seguinte forma: Conhecimentos: Língua portuguesa, Técnicas de comunicação, Idiomas estrangeiros. Habilidade: Adequar à linguagem conforme o público, expressar ideias com clareza e objetividade. Atitude: Respeito à opiniões; abertura à sugestões e à críticas.


Divisão das competências individuais

As competências individuais são divididas em competências técnicas e competências comportamentais, ambas essenciais ao desenvolvimento do trabalho no ambiente organizacional.

Competências técnicas “É tudo o que o profissional precisa saber para desempenhar sua função”. (LEME, 2006, p. 1). O conhecimento (saber) característico da cognição e a habilidade (saber fazer) composta pelas aptidões técnicas e motoras são essenciais. Competências comportamentais “É o que o profissional precisa demonstrar como diferencial competitivo, e tem impacto em seu resultado” (LEME, 2006). Está diretamente relacionada com a atitude (querer fazer) e ao conjunto de crenças, valores e princípios do indivíduo.

Competências: técnicas X comportamentais

Você conhece alguém que aparentemente tem todo o conhecimento e as habilidades necessárias para ocupar determinada função, ou seja, as competências técnicas, no entanto isto não ocorre? Pois está é uma questão relevante para a Gestão por Competências: “o grau de envolvimento e comprometimento das pessoas com os objetivos e projetos coletivos está diretamente relacionado com a maneira como os valores e as crenças são organizados no contexto do trabalho” (GRAMIGNA, 2002, p.18).

Você vai compreender essa questão a seguir.


1.3 Modelo estratégico de Gestão de Pessoas por Competências

É possível juntar esse “quebra-cabeça” e organizar as competências individuais e organizacionais a fim de alcançar melhor resultado para a organização e maior satisfação para os profissionais? Observando essa questão, a área de Gestão de Pessoas alinhou-se à estratégia organizacional e gerou o modelo de Gestão por Competências, especialmente, com o objetivo de encontrar e desenvolver os talentos na organização.

O modelo de gestão por competências

O modelo de Gestão por Competências representa a maneira como uma organização se estrutura para gerenciar e orientar o comportamento humano no ambiente de trabalho e constitui-se por princípios norteadores das relações entre as pessoas e as organizações. Esse modelo surgiu com a finalidade de visualizar as competências individuais de cada profissional na organização e aproveitá-las na área ou função mais adequada para tal profissional. No entanto, realizar essa tarefa requer planejamento e atenção a um detalhe bem importante: a implantação do modelo deve ser amplamente aceita na organização, justamente por estar alinhado às estratégias organizacionais. Observa-se que as organizações funcionam por meio das pessoas que delas fazem parte e que decidem e agem em seu nome. As mudanças que ocorreram e continuam ocorrendo no ambiente organizacional requerem que as organizações sejam constituídas cada vez mais por profissionais capacitados, não apenas com habilidades técnicas, mas também com competências diversas, permitindo uma boa interação com seu grupo de trabalho e desenvolvimento eficiente de suas atividades. Assim, o modelo de Gestão de Pessoas por Competências se relaciona, intimamente, à vários fatores (internos e externos), à organização do trabalho, à cultura, à estrutura organizacional, e às relações de trabalho.

Mas o que busca a Gestão por competências?

A Gestão por Competências busca visualizar o comportamento esperado das pessoas no trabalho e criar um modelo de gestão correspondente, considerando as características da organização. Descrição da imagem: a figura representa as competências constituintes do sistema de Gestão por Competências. Observa-se que as competências organizacionais estão alinhadas á estratégia organizacional, e representam seus valores, princípios, missão e visão. As competências das Unidades de Negócio, por sua vez, alinham-se às competências organizacionais, e representam as rotinas e processos para realizar os valores, princípios e missão organizacional. Neste contexto, as competências individuais são essenciais, pois representam o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes disponíveis à organização para desenvolver as competências organizacionais.

Aplicando a gestão por competências

Ao desenvolver o modelo de Gestão por Competências são identificados os talentos para os projetos ou tarefas, analisando as equipes, motivando os colaboradores, utilizando os que possuem maior competência para participar da evolução dos colaboradores que estão se desenvolvendo, reaproveitar os talentos da empresa em novos desafios ou funções, novos cargos e até mesmo em remuneração, benefícios ou plano de carreira. Mas como realizar tantas atividades? É o que você acompanhará na seção a seguir e nas próximas unidades de estudo.

Fique atento!

O modelo de Gestão por Competências representa a maneira como uma organização se estrutura para gerenciar e orientar o comportamento humano no ambiente de trabalho e requer planejamento e atenção a um detalhe bem importante: a implantação do modelo deve ser amplamente aceita na organização.


1.4 Mapeamento de Competências

Na seção anterior, você observou que o modelo de Gestão por Competências deve estar alinhado à estratégia organizacional e ainda como se relacionam às competências organizacionais e individuais seguindo a estratégia para compor o modelo.

Agora, iremos compreender a importância de identificar corretamente as competências em cada nível (organizacional e individual), para realizar corretamente o planejamento do modelo de Gestão por Competências.

Como mapear competências

Descubra como mapear competências: Mapear competências é identificar e classificar as competências organizacionais, seguido das competências de cada unidade de negócios e, posteriormente, as competências de cada função/cargo na organização, que representam as competências individuais. Faz parte do mapeamento de competências também identificar aquelas que são particulares de cada indivíduo da organização, para verificar a função ideal, bem como necessidade de treinamento e desenvolvimento. Podemos observar que o mapeamento de competências ocorrerá em dois momentos: no primeiro, é preciso olhar para a organização, sua visão, missão e princípios. No segundo, é preciso olhar para as pessoas na organização, seus conhecimentos, habilidades e atitudes. Mas para desenvolvermos os passos do mapeamento de competências, é essencial que compreendamos algumas premissas básicas, que devem ser internalizadas na organização, e, especialmente, para a área responsável pela Gestão de Pessoas.

Premissas básicas para mapeamento de competências

Conheça agora algumas das premissas básicas que, segundo Gramigna (2002, p.21), devem ser internalizadas na organização e, especialmente, na área responsável pela Gestão de Pessoas para a correta realização do mapeamento das competências.

Conheça as premissas básicas do mapeamento de competências.

Conscientização

Conscientização de que cada tipo de negócio necessita de pessoas com perfis específicos.

Crença

Crença de que cada posto de trabalho existente na empresa tem características próprias e deve ser ocupado por profissionais que apresentem um determinado perfil de competências.

Reconhecimento

Reconhecimento de que aqueles que ocupam funções gerenciais são responsáveis pela oferta de oportunidades que permitam o desenvolvimento e a aquisição de novas competências.

Percepção

Percepção de que sempre haverá a demanda para o desenvolvimento de novas competências e o que hoje é essencial para a boa execução de um trabalho, poderá agregar novas exigências amanhã.

Fechamento

Você concluiu a unidade de estudo referente à introdução a Gestão por Competências. Veja abaixo o que foi abordado até aqui! Nas próximas unidades, aprofundaremos as questões relacionadas às metodologias e às ferramentas da Gestão por Competências. Retome a seguir os tópicos estudados nesta unidade.

  • Você visualizou a evolução da área de Gestão de Pessoas na organização que proporcionou instituir um modelo de Gestão por Competências, apropriado às novas exigências organizacionais.

  • Compreendeu questões relevantes da Gestão por Competências, tais como: O que é uma competência e qual é a diferença entre competência organizacional e competência individual;

  • Conheceu quais são os diferentes tipos de competências profissionais na organização;

  • Reconheceu um sistema de Gestão por Competências e ainda visualizou as premissas do mapeamento de competências.

Quiz

Questão 1 - O formato da área de Gestão de Pessoas passou por muitas mudanças nos últimos anos e incorporou novos modelos de gestão. Entre esses modelos, está o Sistema de Gestão por Competências, que alinha as competências organizacionais à visão, à missão e aos princípios que compõem a:

  1. Estrutura operacional.

  2. Conhecimento organizacional.

  3. Estratégia organizacional.

  4. Capacidade gerencial.

Gabarito: A alternativa correta é a letra C. Você acertou. O Sistema de Gestão por Competências deve estar alinhado à missão, à visão e aos princípios que compõem a estratégia organizacional.

Questão 2 - As competências são identificadas como elemento-chave para o alcance da vantagem competitiva nas organizações. Elas são compostas por dimensões importantes que compõem o chamado CHA e uma dimensão de apoio. Associe as duas colunas de forma a representar as dimensões de competências.

  1. Conhecimentos refere-se à

  2. Atitude refere-se à

  3. Contexto social refere-se à

  4. Habilidades refere-se à

  1. Relacionado ao saber fazer e representa as aptidões técnicas e motoras.

  2. Relacionado ao saber e aos aspectos cognitivos e de aprendizagem.

  3. Relacionado ao querer fazer e representa os valores e as crenças.

  4. Condições do ambiente, como apoio gerencial e disponibilidade de recursos.

Gabarito: Conhecimentos refere-se à Relacionado ao saber e aos aspectos cognitivos e de aprendizagem. Atitude refere-se à Relacionado ao querer fazer e representa os valores e as crenças. Contexto social refere-se à Condições do ambiente, como apoio gerencial e disponibilidade de recursos. Habilidades refere-se à Relacionado ao saber fazer e representa as aptidões técnicas e motoras.

Questão 3 - Uma competência organizacional é uma combinação estratégica de recursos, habilidades e processos organizacionais, que são orientados e integrados para o atendimento de uma ou mais necessidades dos clientes. Em uma organização as competências se apresentam de diferentes tipos, neste sentido, a competências organizacionais que são fundamentais para a sobrevivência da organização e central em sua estratégia são as:

  1. Competências distintivas.

  2. Competências de unidades de negócio.

  3. Competências essenciais.

  4. Competências de suporte.

Gabarito: A alternativa correta é a letra C. Você acertou as competências essenciais são fundamentais para a sobrevivência da organização e centrais em sua estratégia e que no âmbito da instituição pública estão relacionadas à sua missão.

Questão 4 - Para elaborar o mapeamento de competências, um gestor de pessoas precisou identificar as competências técnicas e as competências comportamentais relacionadas à comunicação e necessárias para a função de atendente. Relacionada às competências técnicas e às comportamentais, julgue as alternativas abaixo, selecionando as que estiverem corretas.

  1. O saber fazer relativo à habilidade de realizar algo é característico da competência comportamental.

  2. A competência técnica está relacionada à aspectos cognitivos de conhecimento.

  3. No ambiente de trabalho somente as competências técnicas são essenciais.

  4. O querer fazer, que se relaciona ao conjunto de crenças, valores e princípios do indivíduo, caracterizando a atitude, compõem a competência comportamental.

Gabarito: As alternativas corretas são as letras B e D. As competências técnicas e comportamentais são essenciais no ambiente de trabalho. As competências técnicas são formadas pelos conhecimentos e habilidades; e a atitude é característica das competências comportamentais.

Questão 5 - O modelo de Gestão por Competências compreende o alinhamento entre as competências requeridas pela organização e as desenvolvidas pelos indivíduos. Para que este alinhamento seja eficiente, o gestor deve estar atento a algumas premissas, entre as quais a conscientização de que cada tipo de negócio necessita de pessoas com perfis específicos. Entre as assertivas abaixo, identifique duas premissas essenciais para o desenvolvimento do modelo de gestão por competências.

  1. Cada posto de trabalho existente na empresa pode ser ocupado por diferentes perfis profissionais de competências variadas.

  2. Nem todo posto de trabalho na organização requer competências comportamentais.

  3. Percepção de que sempre haverá a demanda para o desenvolvimento de novas competências e o que hoje é essencial para a boa execução de um trabalho, poderá agregar novas exigências amanhã.

  4. Reconhecimento de que aqueles que ocupam funções gerenciais são responsáveis pela oferta de oportunidades que permitam o desenvolvimento e a aquisição de novas competências.

Gabarito: As alternativas corretas são as letras: C e D. Para o alinhamento do Sistema de Gestão por Competências é necessária a percepção de que sempre haverá a demanda para o desenvolvimento de novas competências e que aqueles que ocupam funções gerenciais são responsáveis pela oferta de oportunidades que permitam o desenvolvimento e a aquisição de novas competências. 


Fonte: ENA Virtual